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segunda-feira, 16 de maio de 2011

A Maçonaria Realmente é Uma Religião

À medida que o sol aparecia no horizonte nas planícies de Babel, o céu era tingido por uma variedade de cores. O Poderoso Caçador contemplava os primeiros raios de luz que batiam na estrutura colossal. As instruções tinham sido explícitas, os planos tinham sido seguidos nos mínimos detalhes, e agora, a torre imponente que serviria como catalisadora da cultura e tecnologia do passado distante estava praticamente concluída. Não era apenas uma obra construída com pedras. Era muito mais significativa que apenas sua aparência física. Era algo esotericamente espiritual e profundamente religiosa. A religião que representava, os "Antigos Mistérios", continha crenças e doutrinas de uma era anterior; uma época quando os homens e os seres angélicos caídos experimentavam juntos todas as paixões que podiam imaginar. Ninrode aquecia-se com os raios de sol da aurora e era tomado de uma imensa euforia de satisfação pessoal, mas neste mesmo dia o próprio Deus estorvaria seus planos ambiciosos de estabelecer um império mundial.
A construção seria interrompida. Os sonhos de Ninrode seriam feitos em pedaços, mas mesmo com sua morte e posterior desmembramento de seu cadáver, os Mistérios Antigos continuariam a existir. Com a ajuda da viúva e do filho (Semíramis e Tamuz), a Sabedoria Antiga seria cuidadosamente preservada na Religião de Mistério da Babilônia. (1) Quando os seguidores de Ninrode se espalharam pela face da terra, levaram os Antigos Mistérios desde o Egito até a China. Com a passagem do tempo, a Sabedoria Antiga foi guardada pela "elite de pessoas sábias" da Babilônia, da Média e da Pérsia, de Pérgamo e de Roma. Ela encontrou um bom refúgio nas religiões orientais, na Cabala judaica e no gnosticismo ocidental. (2).
Após a virada do terceiro século da nossa era, o poder da Igreja de Roma começou a crescer. No entanto, isso provocou um cisma entre os guardiães dos Mistérios. Quando Constantino adotou o cristianismo, a Igreja Católica Romana recebeu a influência de muitas das doutrinas das Religiões de Mistério da Babilônia. "Isso resultou em algo muito diferente daquilo que Jesus Cristo e seus discípulos ensinaram. Os ensinos da Igreja Romana tornaram-se uma forma sofisticada de filosofia pagã camuflada com os ensinos de um Deus onipotente e transcendente." (3) A Igreja adotou a adoração da mãe e do menino, o batismo de bebês, a confissão a um sacerdote e muitos outros aspectos da Religião de Mistérios da Babilônia. No entanto, a Igreja Católica não adotou os aspectos ocultistas das Religiões de Mistério. Esses aspectos permaneceram com as Escolas de Mistério do Oriente, os Cabalistas, e os Gnósticos até o tempo das Cruzadas. Os aspectos ocultos da Sabedoria Antiga apareceram publicamente em França com a ascensão da Dinastia Merovíngia e as lendas de "Percival e a Busca Pelo Santo Graal". O cisma explodiu e tornou-se um grande conflito quando os Cavaleiros Templários (A Ordem do Templo) retornaram das Cruzadas como os homens mais ricos do mundo.
Os Cavaleiros Templários e o Priorado de Sião (A Ordem de Sião) tornaram-se a elite cultural que adotou totalmente os aspectos ocultistas dos Antigos Mistérios. Isso os colocou em rota de colisão com a Igreja de Roma e seus aliados. O Priorado de Sião passou a operar às escondidas e tornou-se uma "sociedade secreta" da elite, enquanto os Cavaleiros Templários foram violentamente atacados pelo rei francês Filipe IV, o Belo, e pelo papa Clemente V. Em 13/10/1307, Filipe IV ordenou a prisão de todos os Cavaleiros Templários. No entanto, na noite anterior, um número desconhecido de Cavaleiros partiu da França, com dezoito navios carregados com o lendário tesouro da Ordem. (4). Uma parte desses navios aportou na Escócia e os Templários associaram-se com os Guardas Escoceses, com os Rosa-cruzes, o Colégio Invisível, e a Sociedade Real (todos grupos ocultistas) e juntos formaram o Rito Escocês da Maçonaria. (5). Os maçons têm os Templários como antecessores, bem como guardiães autorizados de seus segredos arcanos. (6). Conseqüentemente, o Rito Escocês é "orientado em forma de magia, enfatizando uma hierarquia social e política, uma ordem divina e um plano cósmico subjacente." (7) Essa é exatamente a essência dos Mistérios Antigos de Ninrode.
Enquanto isto, o poder da Igreja de Roma continuava a crescer. A Igreja Católica e a Maçonaria eram inimigas juradas de morte, e a influência ocultista pública da Maçonaria crescia muito lentamente. No entanto, por volta de 1750, apareceu uma nova geração de cavaleiros místicos. Eram um braço da Maçonaria, e chamavam-se a si mesmos de Jacobinos. (8) O grito jacobino de "Liberdade, Igualdade e Fraternidade" levou ao primeiro grande feito da Maçonaria Iluminista, a Revolução Francesa. Os Jacobinos nomearam um ex-jesuíta rebelde, Adam Weishaupth, de "Grande Patriota". (9) Weishaupth adotou os mistérios antigos e organizou a Ordem dos Iluministas em 1776. Por volta de 1778 infiltrou-se na Maçonaria como um maçom completamente iniciado. Em seguida, induziu a elite européia da Maçonaria européia ao Iluminismo — 600 homens em 1783. (10) No outro lado do Atlântico, maçons místicos estavam sob o cerco dos Iluministas ocultistas. Os Iluministas viam a América como o 13o passo na evolução, e o destino espiritual da América acompanhando a união mundial no espírito da liberdade, igualdade e fraternidade. (11) Por volta de 1789 a Maçonaria mística do Novo Mundo sucumbiu diante da visão ocultista de um mundo do Iluminismo de Weishaupth, o guardião dos Antigos Mistérios de Ninrode.
A Revolução Industrial mudou tudo. Os homens passaram a agir e pensar de uma forma diferente, e o materialismo tornou-se a ordem do dia. Devido a essa influência, o Humanismo Secular surgiu no início do século XX. Os ocultistas e gnósticos do passado eram considerados fanáticos ou lunáticos. Novamente o ocultismo passou a ser algo muito privado. No entanto, muitos desses homens eram muito ricos e poderosos. O Iluminismo estava vivo e bem, embora oculto dos olhos críticos do público geral. Assim, a Maçonaria tornou-se uma organização fraternal e beneficente, por necessidade. Como conseqüência disso, a vasta maioria dos homens que estão nos graus inferiores não tem a menor idéia do propósito da sociedade ou das reais intenções da elite.
A intranqüilidade dos anos 60 e o surgimento da "Cultura das Drogas" moldaram o início de outra reemergência pública do ocultismo. O Movimento de Nova Era dos anos 70 e 80 popularizou muitas crenças ocultistas. Essa nova renascença do ocultismo posicionou a Maçonaria para exercer um papel fundamental no sonho que Ninrode teve há 4400 anos, de um mundo unificado, sob um reino ocultista. Atualmente, a Maçonaria serve como um conduíte entre as organizações políticas da elite global (Clube de Roma, Sociedade Teosófica, Rosa-Cruzes, Lucis Trust, World Goodwill, etc.). Esses grupos reconhecem a posição da Maçonaria como uma organização religiosa ocultista com a capacidade de fazer a ligação entre a religião e a política. (12) Muitos maçons continuam insistindo que a Maçonaria não é uma religião. No entanto, os próprios escritos deles contradizem essas afirmativas. Albert Pike, Grande Comandante do Rito Escocês (1860) escreveu: "Toda loja é um templo de religião e seu ensino instrução em religião." (13).

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Religião dos árabes - História da religião dos árabes

Islamismo 



O islã é uma das mais importantes religiões mundiais (a população muçulmana é estimada em mais de 935 milhões), originária da península da Arábia e baseada nos ensinamentos de Maomé (570-632), chamado o Profeta. Segundo o Alcorão, o Islã é a religião universal e primordial. O muçulmano é um seguidor da revelação divina contida no Alcorão e formulada pelo profeta Maomé. Já que, no Alcorão, muçulmano é o nome dado aos seguidores de Maomé (Alcorão 22,78), os muçulmanos sentem-se ofendidos quando são chamados de maometanos pois isto implica a idéia de um culto pessoal a Maomé, proibido no Islã.
Os muçulmanos consideram a Caaba, ao centro da grande mesquita de Meca, o lugar mais sagrado da Terra. A tradição muçulmana diz que os patriarcas Abraão e Ismael construíram o santuário sobre os primeiros alicerces postos por Adão. Todos os muçulmanos do mundo rezam nesta direção e, todos os que não tiverem um sério impedimento, deverão peregrinar à Meca, pelo menos uma vez na vida. Esta imagem mostra a cerimônia na qual os peregrinos devem beijar a Pedra Negra (Caaba). Os fiéis permanecem neste lugar vários dias, celebrando rituais. 

Doutrina e prática 

As duas fontes fundamentais da doutrina e da prática islâmicas são o Alcorão e a sunna (conduta exemplar do profeta Maomé). Os muçulmanos consideram o Alcorão como a palavra "incriada" de Deus, revelada a Maomé através de Gabriel, o arcanjo da revelação. Os islamitas acreditam que Deus, e não o Profeta, é o autor destas revelações. Por isto, o Alcorão é infalível. 

O Alcorão contém as revelações transmitidas a Maomé durante os quase 22 anos de sua vida profética (610-632). A segunda fonte essencial do islã, a sunna ou exemplo do Profeta, é conhecida através dos Hadith, recompilação de tradições baseadas no que disse ou fez o Profeta. Ao contrário do Alcorão, os Hadith não são considerados infalíveis. 

O monoteísmo é uma matéria central para o Islã: a crença em um Deus (Alá), único e onipotente. Deus desempenha quatro funções fundamentais no Universo e na humanidade: criação, sustentação, orientação e julgamento, que se conclui com o dia do Juízo, no qual a humanidade será reunida e todos os indivíduos serão julgados de acordo com seus atos. Deus, que criou o Universo por absoluta misericórdia, é obrigado também a mantê-lo. A natureza é subordinada aos homens que podem explorá-la e beneficiar-se dela. Todavia, o último objetivo humano consiste em existir para o "serviço de Deus". 

No que se refere à prática islâmica, cinco deveres — conhecidos como os "pilares do Islã"— são fundamentais: 

– profissão da fé ou testemunho; "Não há nada superior a Deus e Maomé é seu enviado". Esta profissão deve ser feita, publicamente, por cada muçulmano pelo menos uma vez na vida. 
– cinco orações diárias. Durante a oração, os muçulmanos olham em direção à Caaba, em Meca (Makka). Antes de cada oração comunitária, é feita uma chamada pública, pelo muezim, a partir do minarete da mesquita. 
– Pagar o zakat (óbolo), instituído por Maomé. 
– jejum no mês de Ramadã. 
– peregrinação à Caaba, em Meca. Todo muçulmano adulto, capacitado fisicamente e dotado de bens suficientes, deve realizá-la pelo menos uma vez na vida. 

Além destas cinco instituições básicas, o Islã impõe a proibição do consumo de álcool e carne de porco. Além da Caaba, os centros mais importantes da vida islâmica são as mesquitas. 

Islã e sociedade 

O conceito islâmico de sociedade é teocrático, sendo que o objetivo de todos os muçulmanos é o "governo de Deus na Terra". A filosofia social islâmica baseia-se na crença de que todas as esferas da vida constituem uma unidade indivisível que deve estar imbuída dos valores islâmicos. Este ideal inspira o Direito islâmico, chamado sharia, que explica os objetivos morais da comunidade. Por isso, na sociedade islâmica, o termo Direito tem um significado mais amplo do que no Ocidente moderno secularizado, pois engloba imperativos morais e legais. 

A base da sociedade islâmica é a comunidade dos fiéis que permanece consolidada no cumprimento dos cinco pilares do islã. Sua missão é "inspirar o bem e proibir o mal" e, deste modo, reformar a Terra. A luta por este objetivo tenta se concretizar através da jihad (guerra santa) que, se for necessário, pode englobar o uso da violência e a utilização de exércitos. A finalidade prescrita pela jihad não é a expansão territorial ou a tomada do poder político, e sim a conversão dos povos ao Islã. 

História do Islã 

Na época de Maomé, a península da Arábia era habitada por beduínos nômades — dedicados à criação de rebanhos e saques —, e pelos árabes que viviam do comércio. A religião dos árabes pré-islâmicos era politeísta e idólatra, embora existisse uma antiga tradição de monoteísmo. Maomé foi precedido por oradores monoteístas, mas com pouco êxito. Pertencente ao clã Haxemita, da tribo beduína Curaichita, Maomé iniciou seu ministério aos 40 anos, quando começou a pregar em Meca, sua cidade natal. Depois de quatro anos, convertera cerca de 40 pessoas. Hostilizado pelos outros habitantes que viam naquele discurso monoteísta uma ameaça aos lucros obtidos com as caravanas que paravam em Meca para reverenciar ídolos locais, Maomé acabou fugindo para Medina, em 622. A partir deste acontecimento, conhecido por Hégira, inicia-se o calendário islâmico. Na ocasião de sua morte, em 632, Maomé já era o dirigente máximo de uma religião que ganhava poder com grande rapidez. 

A primeira escola importante de teologia islâmica, a mutazilita, surgiu graças à tradução das obras filosóficas gregas para o árabe, nos séculos VIII e IX, e ressaltava a razão e a lógica rigorosa. A questão da importância das boas ações continuava, mas a ênfase principal era na absoluta unicidade e justiça de Deus. Os mutazilitas foram os primeiros muçulmanos a adotar os métodos filosóficos gregos para difundir suas idéias. Alguns de seus adversários utilizaram os mesmos métodos e o debate resultou no movimento filosófico islâmico, cujo primeiro representante importante foi al-Kindi (século IX), que tentou conciliar os conceitos da filosofia grega com as verdades reveladas do islã. No século X, o turco al–Farabi foi o primeiro filósofo islâmico a subordinar revelação e lei religiosa à filosofia. Defendia que a verdade filosófica é idêntica em todo o mundo e que as diversas religiões existentes são expressões simbólicas de uma religião universal ideal. No século XI, o filósofo e médico persa muçulmano Avicena (Ibn Sina) conseguiu a mais sistemática integração do racionalismo grego com o pensamento islâmico. Averroés, o filósofo e médico ibero-muçulmano do século XII, defendeu os conceitos aristotélicos e platônicos e converteu-se no filósofo islâmico mais importante da história intelectual do Ocidente. 

A estagnação da cultura islâmica depois da Idade Média resultou em uma renovada insistência no pensamento original (ijtihad) e nos movimentos de reforma religiosa, social e moral. O primeiro deste tipo foi o wahabita, nome dado em homenagem a seu fundador Ibn Abd al-Wahhab, que surgiu na Arábia, no século XVIII, e converteu-se no líder de um grande movimento que se integrava com as ramificações do mundo muçulmano. Outros reformistas islâmicos foram marcados por idéias ocidentais como Mohamed Abduh ou Mohamed Iqbal. Embora as idéias modernas estejam baseadas em interpretações plausíveis do Alcorão, os fundamentalistas islâmicos opuseram-se fortemente a elas, sobretudo a partir de 1930. Não são contra a educação moderna, a ciência e a tecnologia, mas acusam os reformistas de difundirem a moralidade ocidental. Por fim, o ressentimento que os muçulmanos sentem pelo colonialismo ocidental fez com que muitos deles relacionassem às culturas do ocidente tudo que seja sinônimo e representação do mal.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Ensinamentos: Religião no Mundo de Hoje

Muitos ensinamentos, muitos caminhos — Encontrar a verdadeira satisfação não depende de seguir qualquer religião específica ou manter uma crença em particular. Contudo, muitas pessoas buscam a satisfação na prática religiosa ou na fé. Quando permanecemos isolados uns dos outros, às vezes ficamos com imagens distorcidas das tradições ou crenças diferentes daquelas que defendemos; em outras palavras, podemos acreditar equivocadamente que nossa religião é de alguma maneira a única válida. Na verdade, antes de deixar o Tibete e ter contato mais próximo com outras religiões e outros líderes religiosos, eu mesmo tinha idéias! Mas enfim entendi que todas as tradições têm grande potencial e podem desempenhar uma função muito importante no benefício da humanidade. Todas as religiões do mundo contêm ferramentas para lidar com nossa aspiração básica de superar o sofrimento e alcançar a felicidade. Neste capítulo, vamos examinar esses instrumentos.
Algumas religiões possuem sofisticadas análises filosóficas; outras extensos ensinamentos éticos; outras dão grande ênfase à fé. Entretanto, se observarmos os ensinamentos das grandes tradições de fé do mundo, iremos discernir duas dimensões principais da religião. Uma é a que poderia ser chamada dimensão metafísica ou filosófica, que explica por que somos do jeito que somos e por que são prescritas certas práticas religiosas. A segunda dimensão refere-se à prática da moralidade ou disciplina ética. Pode-se dizer que os ensinamentos éticos de uma tradição de fé são as conclusões amparadas e validadas pelo processo de pensamento metafísico ou filosófico. Embora as religiões do mundo tenham grandes divergências em termos de metafísica e filosofia, as conclusões a que chegam essas filosofias divergentes – ou seja, seus ensinamentos éticos – mostram um grau elevado de convergência. Nesse sentido, podemos dizer que, a despeito de quaisquer explicações metafísicas que as tradições religiosas utilizem, todas chegam a conclusões similares. De uma forma ou de outra, as filosofias de todas as religiões do mundo enfatizam o amor, a compaixão, a tolerância, o perdão e a importância da autodisciplina. Por meio do compartilhamento, do respeito e da comunicação interpessoal e intercrenças, é possível aprender a estimar as valiosas qualidades ensinadas por todas as religiões, e os instrumentos pelos quais todas elas podem beneficiar a humanidade.
Dentro de cada caminho, encontramos pessoas verdadeiramente dedicadas ao bem-estar dos outros, movidas por uma profunda noção de compaixão e amor. Ao longo das últimas décadas conheci um bom número de pessoas de tradições diversas – cristãos, hindus, muçulmanos e judeus. E em cada tradição existem pessoas maravilhosas, afetuosas, sensíveis - pessoas como Madre Teresa, que dedicou toda sua vida ao bem-estar dos mais pobres entre os pobres do mundo, e o Doutor Martin Luther King Jr., que dedicou sua vida à luta pacífica pela igualdade. É evidente que todas as tradições têm o poder de trazer à tona o melhor do potencial humano. No entanto, diferentes tradições usam diferentes abordagens.
Agora poderíamos perguntar: “Por que é assim? Por que existe tanta diversidade metafísica e filosófica entre as religiões do mundo?” Tal diversidade pode ser encontrada não só entre diferentes religiões, mas também dentro das religiões. Mesmo no Budismo – nos ensinamentos do próprio Buda Shakyamuni – ela existe. Nos ensinamentos mais filosóficos do Buda, verificamos que essa diversidade é bastante pronunciada; em alguns casos, as instruções parecem até se contradizer!
Creio que isso aponta para uma das mais importantes verdades a respeito dos ensinamentos espirituais: eles devem ser adequados ao indivíduo que está sendo ensinado. O Buda reconheceu entre seus seguidores diversos tipos de índoles mentais, inclinações mentais, inclinações espirituais e interesses, e viu que, para se adequar a essa diversidade, precisaria ensinar de forma diferenciada nos diferentes contextos. Não importa quanto um ensinamento específico possa ser poderoso ou quanto um ponto de vista filosófico seja “correto”: se não for adequado ao indivíduo que o ouve, não tem valor. Assim sendo, um professor espiritual hábil julgará a pertinência de um determinado ensinamento para um determinado indivíduo e ensinará de acordo.
Podemos traçar uma analogia com o uso dos remédios. Antibióticos, por exemplo, são imensamente poderosos; são valiosos no tratamento de uma ampla variedade de doenças, mas são inúteis na cura de uma perna quebrada. Uma perna quebrada deve ser colocada adequadamente no gesso. Além disso, mesmo nos casos em que a utilização dos antibióticos é de fato imprescindível, se um médico receitar para uma criança a mesma dose que daria para um adulto, a criança pode morrer!
Do mesmo modo, podemos ver que o próprio Buda – por ter reconhecido a diversidade de índoles mentais, interesses e inclinações espirituais de seus seguidores – deu ensinamentos de maneira diferenciada. Observando todas as religiões do mundo sob essa luz, sinto uma profunda convicção de que todas as tradições são benéficas, cada uma delas servindo de forma única às necessidades de seus seguidores.
Vamos olhar para as semelhanças de outra maneira. Nem todas as religiões postulam a existência de Deus, de um Criador; mas aquelas que o fazem destacam que o devoto deve amar a Deus de todo coração. Como poderíamos determinar se alguém ama a Deus de forma sincera? Com certeza, examinaríamos o comportamento e a atitude dessa pessoa em relação aos demais seres humanos, em relação ao restante da criação de Deus. Se alguém mostra amor e compaixão verdadeiros em relação aos irmãos e irmãs humanos, e em relação à própria Terra, acredito que podemos ter certeza de que essa pessoa demonstra verdadeiro amor por Deus. É claro que quando alguém realmente respeita a mensagem de Deus, estende o amor de Deus pela humanidade. No entanto, creio que é altamente questionável a fé de alguém que professa a crença em Deus, mas não mostra amor ou compaixão pelos outros seres humanos. Quando analisamos dessa forma, vemos que a fé genuína em Deus é um meio poderoso para se desenvolver as qualidades humanas positivas de amor e compaixão.
Vamos nos deter em outro ponto divergente das religiões mundiais: a crença em vidas passadas ou futuras. Nem todas as religiões afirmam a existência dessas coisas. Algumas, como o Cristianismo, admitem uma próxima vida, talvez no céu ou no inferno, mas não uma vida anterior. De acordo com a visão cristã, esta vida, a vida presente, foi criada diretamente por Deus. Posso muito bem imaginar que acreditar sinceramente nisso proporciona um sentimento de grande intimidade com Deus. Com certeza, ao estarmos cientes de que nossas vidas são criação de Deus, desenvolvemos uma profunda reverência por Deus e o desejo de viver inteiramente de acordo com seus propósitos, pondo em prática nosso potencial humano mais elevado.
Outras religiões ou pessoas podem enfatizar que somos todos responsáveis por tudo o que criamos em nossa vida. Esse tipo de fé também pode ser muito eficiente para ajudar a pôr em prática nosso potencial para a bondade, pois exige que as pessoas assumam total responsabilidade por suas vidas, com todas as conseqüências recaindo sobre seus ombros. Pessoas que pensam assim de modo verdadeiro vão se tornar mais disciplinadas e assumir inteira responsabilidade em praticar a compaixão e o amor. Portanto, embora a abordagem seja diferente, o resultado é mais ou menos o mesmo.
Manter sua própria tradição — Quando reflito dessa forma, minha admiração pelas grandes tradições espirituais do mundo aumenta, e posso estimar com intensidade o valor delas. É evidente que essas religiões atenderam às necessidades espirituais de milhões de pessoas no passado, continuam a fazê-lo no presente, e continuarão no futuro. Percebendo isso, encorajo as pessoas a manter sua tradição espiritual, mesmo que se interessem em aprender sobre outras, como o Budismo. Trocar de religião é um assunto sério, e não deve ser tratado levianamente. Uma vez que as diferentes tradições religiosas evoluíram de acordo com contextos históricos, culturais e sociais específicos, uma tradição pode ser mais adequada para uma determinada pessoa em um ambiente específico. Somente a pessoa sabe qual religião é mais conveniente para ela. Assim, é vital não fazer proselitismo, propagando apenas a sua própria religião, afirmando que ela é a melhor ou a que está certa.
Nesse sentido, quando ministro ensinamentos budistas para ocidentais com outra formação religiosa, em geral ma sinto um pouco apreensivo. Não é meu desejo propagar o Budismo. Ao mesmo tempo, é muito natural que, entre milhões de pessoas, algumas sintam que a abordagem budista é a mais adequada, a mais efetiva para elas. E, mesmo que uma pessoa se simpatize e chegue ao ponto de considerar a adoção dos ensinamentos budistas, ainda é muito importante examinar os ensinamentos e a decisão com cuidado. Só depois de pensar muito, refletindo e examinando, pode-se chegar à conclusão de que a abordagem budista é, no seu caso, a mais correta e efetiva.
Não obstante, acho que é melhor ter algum tipo de fé, algum tipo de crença arraigada, do que não ter nenhuma. E acredito firmemente que alguém que pensa apenas nesta vida e no ganho mundano simplesmente não consegue obter satisfação duradoura. Esse tipo de abordagem puramente materialista não trará felicidade que perdure. Quando jovem e em pleno gozo das faculdades físicas e mentais, uma pessoa pode se sentir completamente auto-suficiente e no controle, e concluir que não é necessário ter fé ou entendimentos profundos. Mas, com o tempo, as situações mudam; as pessoas ficam doentes, envelhecem, morrem. Esses fatos inevitáveis; ou talvez alguma tragédia inesperada que o dinheiro não consiga remediar, podem ressaltar a limitação dessa visão mundana. Em tais casos, uma abordagem espiritual, como a budista, pode se tornar a mais adequada.
Compartilhar as tradições — Neste mundo diversificado, com inúmeras tradições religiosas, é de grande valor para os praticantes de diferentes religiões cultivar um respeito genuíno, baseado no diálogo, pelas tradições dos outros. No começo desse diálogo, é importante que todos os participantes reconheçam de forma plena não apenas as muitas áreas de convergência entre as tradições de fé, mas, mais crucialmente, que reconheçam e respeitem as diversidades entre as tradições. Além disso, devemos analisar as causas e condições específicas que dão origem às diferentes tradições de fé – os fatores históricos, culturais, sociológicos, até pessoais, que afetam a evolução de uma religião. Em certo sentido, essas reflexões nos ajudam a perceber por que uma determinada religião surgiu. Então, tendo esclarecido as diferenças e as origens, olhamos as religiões de uma nova perspectiva, cientes de que filosofias e práticas religiosas divergentes podem ocasionar resultados similares. Ao entrar no diálogo intercrenças dessa maneira, desenvolvemos respeito e admiração verdadeiros pelas tradições religiosas dos outros.
Na verdade, existem dois tipos de diálogos intercrenças: os que acontecem em um nível puramente acadêmico, interessados em primeiro lugar nas diferenças e semelhanças intelectuais, e os que ocorrem entre praticantes autênticos de diversas tradições. Na minha experiência pessoal, esse último tipo de diálogo tem sido de grande ajuda no engrandecimento de minha valorização das outras tradições.
O diálogo intercrenças é um dos muitos modos pelos quais podemos compartilhar as tradições uns dos outros. Também é possível fazer isso realizando peregrinações e jornadas a lugares sagrados de outras tradições – e, se possível, rezando ou praticando juntos, ou participando de meditação silenciosa em grupo. Sempre que tenho oportunidade, faço visitas como peregrino aos locais sagrados de outras tradições. Embuído desse espírito, fui aos templos de Jerusalém, ao santuário de Lourdes na França e a vários lugares sagrados da Índia.
Muitas religiões advogam a paz mundial e a harmonia global. Por conseqüência, outra maneira pela qual podemos valorizar as outras religiões é vendo os líderes religiosos reunidos e os ouvindo expressar os mesmos valores, no mesmo palanque, onde estão juntos.
Desmond Tutu, o bispo da África do Sul, apontou-me uma maneira adicional pela qual podemos compartilhar a força religiosa uns dos outros: sempre que ocorre um desastre ou alguma grande tragédia no mundo, pessoas de diferentes religiões podem se unir para ajudar os que estão sofrendo, mostrando, desse modo, o coração de cada religião em ação. Creio que essa é uma grande idéia; além disso, em termos práticos, é uma oportunidade maravilhosa para pessoas de diversas tradições se conhecerem. Prometi ao bispo Tutu que nas futuras discussões sobre compartilhamento intercrenças eu mencionaria essa idéia – e agora estou cumprindo minha promessa!
Assim, existem campos para se promover o diálogo e a harmonia entre as religiões, e existem métodos. Estabelecer e manter essa harmonia é de vital importância porque sem isso as pessoas podem facilmente criar desavenças umas com as outras. No pior dos casos, surgem conflitos e hostilidade, levando ao derramamento de sangue e à guerra. Muitas vezes, algum tipo de diferença ou intolerância religiosa está na raiz de muitos desses conflitos. No entanto, supõe-se que a religião arrefeça a hostilidade, atenue conflitos e traga paz. É trágico a própria religião tornar-se outro motivo para a criação de discórdia. Quando isso acontece, a religião não tem valor para a humanidade – de fato, é prejudicial. Contudo, não creio que devamos abolir a religião; ela ainda pode ser um instrumento para o desenvolvimento da paz entre as pessoas no mundo.
Além disso, embora possamos ressaltar importantes avanços na tecnologia, e até no que chamamos “qualidade de vida”, ainda temos determinadas dificuldades que a tecnologia e o dinheiro não podem resolver: sentimos ansiedade, medo, ira, tristeza por perda ou separação. Somadas a essas dificuldades, temos muitas queixas cotidianas – eu com certeza tenho, e imagino que vocês também.
Esses são determinados aspectos fundamentais do ser humano que permaneceram inalterados por milhares, talvez milhões de anos, e serão superados somente através da paz mental. De um jeito ou de outro, todas as religiões abordam essas questões. Assim, mesmo no século XXI, as várias tradições religiosas ainda possuem um objetivo muito importante – proporcionar paz mental a seus seguidores.
Precisamos da religião a fim de desenvolver tanto a paz interior quanto a paz entre os ovos do mundo; esse é o papel essencial da religião hoje em dia. E, na busca desse objetivo, torna-se imprescindível a harmonia entre as diferentes tradições.
Aprender com outras tradições — Embora não recomende que uma pessoa abandone sua religião original, creio que o seguidor de uma tradição pode incorporar em sua prática certos métodos de transformação espiritual encontradas em outras tradições. Alguns de meus amigos cristãos, por exemplo, embora permaneçam ligados de maneira firme à sua própria tradição, incorporam antigos métodos indianos para o cultivo da unidirecionalidade da mente por meio da concentração meditativa. Também tomam emprestadas algumas ferramentas do Budismo para treinar a mente durante a meditação, visualizações relacionadas ao desenvolvimento da compaixão, e práticas que ajudam na amplitude da paciência. Esses cristãos devotos, ao mesmo tempo em que permanecem solidamente ligados à sua própria tradição espiritual, adotam determinados aspectos e métodos de outras religiões. Creio que isso é benéfico para eles, e sábio.
Essa adoção também pode funcionar na via inversa. Os budistas podem incorporar elementos do Cristianismo em sua prática – por exemplo, a tradição do serviço comunitário. Na tradição cristã, monges e freiras têm uma longa história de trabalho social, em particular nos campos da saúde e educação. O Budismo está muito do Cristianismo no fornecimento de serviço para a grande comunidade humana por meio do trabalho social. De fato, um de meus amigos alemães, também budista, observou que, ao longo dos últimos 40 anos, embora muitos mosteiros tibetanos de vulto tenham sido erguidos no Nepal, pouquíssimos hospitais ou escolas foram construídos por esses monastérios. Meu amigo comentou que, se fossem mosteiros cristãos, junto com o aumento do número deles, com certeza teria havido também um aumento no número de escolas e postos de saúde. Um budista não pode manifestar nada em resposta a uma afirmação dessas a não ser inteira concordância.
Os budistas podem aprender muito com o serviço comunitário cristão. Entretanto, alguns de meus amigos cristãos manifestam enorme interesse pela filosofia budista da vacuidade. Para esses irmãos cristãos, observei que o ensinamento da vacuidade – o ensinamento de que todas as coisas são destituídas de qualquer existência absoluta, independente – é exclusivo do Budismo, e portanto, para um cristão praticante seria sábio não se aprofundar demais nesse ensinamento. O motivo para essa cautela é que, se alguém começa a se aprofundar intensamente no ensinamento budista da vacuidade e a segui-lo com fidelidade, pode destruir a fé em um criador – um ser absoluto, independente, eterno, que, em resumo, não é vazio.
Muitas pessoas manifestam sincera reverência tanto pelo Budismo quanto pelo Cristianismo, e especificamente pelos ensinamentos do Buda Shakyamuni e de Jesus Cristo. Sem dúvida, é de grande valor desenvolver um respeito profundo pelos professores e ensinamentos de todas as religiões do mundo, e em um estágio inicial dá para ser, por exemplo, praticante budista e cristão. Mas, se a pessoa optar em seguir um caminho em grande profundeza, será necessário abraçar um caminho espiritual junto com sua metafísica subjacente.
Podemos traçar aqui uma analogia com a educação. Começamos com uma educação em bases amplas; da escola primária até talvez a faculdade, quase todas as pessoas inicialmente estudam um currículo básico semelhante. Mas, se desejarmos seguir uma especialização, quem sabe um doutorado ou alguma especialidade técnica, só podemos fazê-lo em um campo específico. Desse modo, do ponto de vista do praticante espiritual individual, à medida que se aprofunda no caminho espiritual, a prática de uma religião e uma verdade torna-se importante. Assim, ao mesmo tempo em que é fundamental toda a sociedade humana acolher a realidade de muitos caminhos e muitas verdades, para uma pessoa pode ser melhor seguir um caminho e uma verdade.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Religião Rastafari


É um movimento de caráter religioso, que, em meados do século 20, passou a reconhecer o primeiro imperador negro a governar um país africano como a encarnação do messias na Terra. Apesar disso, o rastafarianismo não é considerado uma religião oficial, pois não possui igrejas, nem um clero organizado. "O movimento rastafári é uma filosofia de vida, que prega uma volta à África, às nossas origens, sempre respeitando a lei da natureza, o próximo e Deus", diz o produtor cultural Alfredo Rasta, presidente da Associação Cultural de Reggae, em São Paulo. O movimento começou a surgir no final da década de 1920, quando o sindicalista jamaicano Marcus Garvey, baseando-se em idéias do Velho Testamento, passou a pregar que todos os negros deveriam retornar à África, a "Terra Prometida" para eles, de onde haviam sido retirados por causa da escravidão. Em 1929, quando pregava numa igreja, Garvey disse: "Olhem para a África. Quando um rei negro for coroado, a redenção estará próxima."
A afirmação foi tida como uma profecia, já que o negro Tafari Makonnen (1892-1975) autocoroou-se imperador da Etiópia um ano depois. Antes de ascender ao poder - onde permaneceu até 1974, quando foi deposto - Makonnen era chamado de "Príncipe Tafari", ou Ras Tafari, no idioma local. Por isso, quem acreditava nas idéias de Garvey e via o imperador como um messias passou a ser chamado de rastafári. O próprio Makonnen ajudou a aumentar a aura sagrada em torno de si ao decidir adotar o nome Hailé Selassié, que significava "O Poder da Santíssima Trindade". Mas, além do lado religioso, o rastafarianismo também teve importância política, lutando contra a opressão dos países colonizados. Hoje, muitos dos seus simpatizantes são vegetarianos, não bebem e defendem o uso da maconha de forma ritual, para estabelecer ligação com o mundo espiritual. As cores do movimento, verde, amarelo e vermelho, referem-se à bandeira etíope e lembram, respectivamente, a natureza, o ouro e o sangue da África e de seu povo.

terça-feira, 8 de março de 2011

Hinduismo

Hinduismo

Tendo sua origem remontada ao ano de 1500 a . C., a religião hinduísta foi estabelecida pelos invasores arianos da Índia. Os textos védicos antigos descreviam um universo cercado de água. No período dos arianos, ou árias (homens), a explicação de suas divisões sociais era encontrada nos Vedas: da cabeça do deus primordial saíram os brâmanes (casta social dominante), dos braços saíram os guerreiros, das pernas os produtores e dos pés os servos (não-árias, ou "não-homens"). O mundo, conforme a concepção desta época, foi formado a partir da organização, por força divina, de um caos preexistente.
No sistema religioso hinduísta atual há uma série de ramificações, que geraram crenças e práticas diversas, assim como há muitos deuses e muitas seitas de diversas características. O Hinduísmo tem sua ênfase no que seria o modo correto do viver (dharma). Os cultos hinduístas são realizados tanto em templos e congregações quanto podem ser domésticos. A cerimônia mais comumente realizada é relativa à oração (puja). A palavra "Om", representa a vibração original, uma vibração que transcende o início, o meio e o fim de todas as coisas, vinculando-se, desta maneira, à imagem da própria divindade. Os códigos sagrados do Hinduísmo são: os Vedas, consistindo em escrituras que incluem canções, hinos, dizeres e ensinamentos; o Smriti, escrituras tradicionais que incluem o Ramayana, o Mahabarata, e o Bhagavadgita.
O Hinduísmo é a religião atualmente predominante na Índia (pouco mais de 80% da população).

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Judaísmo

A história dos judeus, livros sagrados, símbolos e rituais da religião judaica, festas religiosas
torá, livro sagrado dos judeus
Torá: livro sagrado do judaísmo

Introdução 
O judaísmo é considerado a primeira religião monoteísta a aparecer na história. Tem como crença principal a existência de apenas um Deus, o criador de tudo. Para os judeus, Deus fez um acordo com os hebreus, fazendo com que eles se tornassem o povo escolhido e prometendo-lhes a terra prometida.
Atualmente a fé judaica é praticada em várias regiões do mundo, porém é no estado de Israel que se concentra um grande número de praticantes.
Conhecendo a história do povo judeu 
A Bíblia é a referência para entendermos a história deste povo. De acordo com as escrituras sagradas, por volta de 1800 a.C, Abraão recebeu uma sinal de Deus para abandonar o politeísmo e para viver em Canaã (atual Palestina). Isaque, filho de Abraão, tem um filho chamado Jacó. Este luta , num certo dia, com um anjo de Deus e tem seu nome mudado para Israel. Os doze filhos de Jacó dão origem as doze tribos que formavam o povo judeu. Por volta de 1700 AC, o povo judeu migra para o Egito, porém são escravizados pelos faraós por aproximadamente 400 anos. A libertação do povo judeu ocorre por volta de 1300 AC. A fuga do Egito foi comandada por Moisés, que recebe as tábuas dos Dez Mandamentos no monte Sinai. Durante 40 anos ficam peregrinando pelo deserto, até receber um sinal de Deus para voltarem para a terra prometida, Canaã.
Jerusalém é transformada num centro religioso pelo rei Davi. Após o reinado de Salomão, filho de Davi, as tribos dividem-se em dois reinos : Reino de Israel e Reino de Judá. Neste momento de separação, aparece a crença da vinda de um messias que iria juntar o povo de Israel e restaurar o poder de Deus sobre o mundo. 
Em 721 a.C começa a diáspora judaica com a invasão babilônica. O imperador da Babilônia, após invadir o reino de Israel, destrói o templo de Jerusalém e deporta grande parte da população judaica.
No século I, os romanos invadem a Palestina e destroem o templo de Jerusalém. No século seguinte, destroem a cidade de Jerusalém, provocando a segunda diáspora judaica. Após estes episódios, os judeus espalham-se pelo mundo, mantendo a cultura e a religião. Em 1948, o povo judeu retoma o caráter de unidade após a criação do estado de Israel.
Os livros sagrados dos judeus 
A Torá ou Pentateuco, de acordo com os judeus, é considerado o livro sagrado que foi revelado diretamente por Deus. Fazem parte da Torá : Gênesis, o Êxodo, o Levítico, os Números e o Deuteronômio. O Talmude é o livro que reúne muitas tradições orais e é dividido em quatro livros: Mishnah, Targumin, Midrashim e Comentários. 
Rituais e símbolos judaicos 
Os cultos judaicos são realizados num templo chamado de sinagoga e são comandados por um sacerdote conhecido por rabino. O símbolo sagrado do judaísmo é o memorá, candelabro com sete braços.
 Memorá : candelabro sagrado
Entre os rituais, podemos citar a circuncisão dos meninos ( aos 8 dias de vida ) e o Bar Mitzvah que representa a iniciação na vida adulta para os meninos e a Bat Mitzvah para as meninas ( aos 12 anos de idade ).
Os homens judeus usam a kippa, pequena touca, que representa o respeito a Deus no momento das orações.
Nas sinagogas, existe uma arca, que representa a ligação entre Deus e o Povo Judeu. Nesta arca são guardados os pergaminhos sagrados da Torá.
As Festas Judaicas 
As datas das festas religiosas dos judeus são móveis, pois seguem um calendário lunisolar. As principais são as seguintes:
Purim - os judeus comemoram a salvação de um massacre elaborado pelo rei persa Assucro.
Páscoa ( Pessach ) - comemora-se a libertação da escravidão do povo judeu no Egito, em 1300 a.C.
Shavuót - celebra a revelação da Torá ao povo de Israel, por volta de 1300 a.C.
Rosh Hashaná - é comemorado o  Ano-Novo judaico.
Yom Kipur - considerado o dia do perdão. Os judeus fazem jejum por 25 horas seguidas para purificar o espírito.
Sucót -  refere-se a peregrinação de 40 anos pelo deserto, após a libertação do cativeiro do Egito.
Chanucá - comemora-se o fim do domínio assírio e a restauração do tempo de Jerusalém.
Simchat Torá - celebra a entrega dos Dez Mandamentos a Moisés.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A Religião Espírita

O Espiritismo surgiu como uma ciência de observação com conseqüências morais, como diria Kardec, e a sua divulgação foi rápida, principalmente na Europa e Estados Unidos. A facilidade, contudo, de comunicação com os 'mortos' levou as manifestações espíritas para o caminho da fraude e do charlatanismo e, conseqüentemente, do descrédito nessas regiões.

Isso ocorreu, contudo, porque as pessoas não tiveram a mesma abordagem criteriosa que teve Allan Kardec em seus estudos, que já alertava para os perigos das mistificações e da exploração econômica dos fenômenos. Um critério adicional, contudo, permitiu que o Espiritismo crescesse como doutrina, que foi a sua vinculação ao Evangelho do Cristo, vinculação essa empreendida por Kardec, que foi muito criticado por seus colegas estudiosos.

Essa ligação com o Evangelho permitiu o surgimento da Religião Espírita, que não foi prevista por Kardec, mas que foi conseqüência natural do desenvolvimento da doutrina. Para melhor compreendermos, contudo, o surgimento da Religião Espírita, é necessário remontarmos às idéias básicas sobre religião e aos objetivos que uma verdadeira religião deve ter.

Como podemos entender uma religião?

Kardec foi contrário a designar o Espiritismo como uma religião, na acepção usual que as pessoas fazem dessa palavra, mas concordou que, no significado filosófico, o Espiritismo poderia se denominar uma religião (ver Revista Espírita, dezembro de 1868).

Para Kardec, a religião na sua origem significaria algo como uma ligação ou 'laço' que uniria as pessoas em torno de determinadas idéias e princípios. Nesse sentido, o Espiritismo poderia ser considerado uma religião, cujo principal elo de ligação seria a Caridade. Não a caridade, contudo no seu sentido material, que Kardec classificou como 'Caridade Beneficente', mas a caridade que envolve; principalmente, as qualidades do coração, como perdão das ofensas, boa-vontade para com todos e indulgência para com as imperfeições alheias. Essa forma de caridade Kardec classificou como 'Caridade Benevolente'.

A outra acepção que as pessoas fazem de religião é relacionada a culto e hierarquia, o que terminantemente Kardec rejeitou. É por essa razão que ele não considera o Espiritismo uma religião mas uma ciência de observação com conseqüências morais.

Pode-se considerar, entretanto, que a palavra religião também tem um sentido bastante difundido, que é o de 'religação' com Deus. A religião seria, assim, uma porta para nos religarmos com o Criador de quem, no passado, nos desligamos por alguma razão.

Como nos desligamos de Deus?

Esse desligamento ocorreu, segundo a doutrina do pecado original, quando Adão pecou, transmitindo para toda a sua descendência o ônus de sua falta. Por essa doutrina, Jesus nos redimiu com seu sacrifício na Cruz, sendo que todo aquele que crê no Cristo e participa de sua igreja, foi perdoado por Deus e está reconciliado com o seu Criador. A Igreja Católica defendeu sempre esse princípio, reforçando, ainda, que só com a Igreja está a Verdade, resumindo esse conceito no lema 'Fora da Igreja não há Salvação'.

Com a reforma protestante, outras igrejas cristãs surgiram evidenciando a necessidade da Fé para a Salvação e, ou, da predestinação das criaturas por Deus, antes mesmo do seu nascimento, para serem salvas ou condenadas ao 'Fogo Eterno'. Deve-se ressaltar, contudo, que, tanto a Igreja Católica como as demais igrejas reformadas, se baseiam na doutrina do pecado original.

A Doutrina Espírita, contudo, se baseia em outro princípio que é o da criação do Homem simples e ignorante e do seu autoaperfeiçoamento contínuo através da Reencarnação. Segundo esse princípio, o Homem pode evoluir espiritualmente ou estacionar, mas nunca retroceder, o que impede que ele retorne a condições anteriores ou mesmo venha a se reencarnar em corpos de animais, como acreditava a antiga doutrina da metempsicose.

Quando o Homem 'estaciona' no caminho evolutivo ele, de certa forma, se desliga de Deus ou, melhor dizendo, ele opta por não se adequar à Lei Divina que o impulsiona para o progresso e o crescimento espiritual. Ele se apega a bens e prazeres materiais, o que com o tempo, o deixa insatisfeito, pois ele já possui uma essência espiritual suficientemente desenvolvida para aspirar por prazeres menos passageiros e mais duradouros e constantes, como os espirituais.

Esse desligamento é apenas aparente, pois Deus jamais se afasta de suas criaturas. Seria semelhante a uma pessoa que ficasse cega e não conseguisse mais enxergar a luz que está a sua volta. A luz continua lhe envolvendo, mas a pessoa não consegue mais percebê-la. Assim o Homem quando se afasta das Leis que o conduzem se sente só e sem a proteção de Deus, apesar do Pai estar sempre ao seu lado. É por essa razão que Jesus, quando estava caminhando para o calvário, disse às mulheres de Jerusalém que não chorassem por Ele, pois Ele estava com o Pai, mas chorassem por seus filhos que estavam perdidos.

Dessa maneira, o Homem necessita se sentir novamente ligado a Deus, que o sustenta e o conduz. Para isso ele procura uma 'religião' ou uma igreja onde possa se sentir amparado e confortado. Cada doutrina religiosa, contudo, apresenta um caminho para essa religação com o Criador.

Como nos religarmos novamente a Deus?

Para a Igreja Católica o Homem deve participar da Igreja e dos seus sacramentos, bem como das ser fiel às obrigações regulares, como ir à missa, confessar, comungar, jejuar, fazer 'boas obras' e outras obrigações.

Martinho Lutero, que era monge, percebeu que o cumprimento das obrigações que a Igreja Católica impunha não conseguia proporcionar-lhe a certeza da salvação, e isso o deixava profundamente inseguro e perturbado. Certa vez, enquanto ministrava um curso bíblico, ele se deparou com a mensagem do Apóstolo Paulo na Carta aos Romanos, onde ele afirmava que o Homem não se justifica perante Deus com as 'obras da Lei' mas, somente, através da Fé. Assim Martinho Lutero rompeu com a Igreja e adotou a doutrina da 'justificação pela Fé' como a base da salvação das criaturas.

João Calvino, que era, de certa forma, discípulo de Lutero, levantou o seguinte questionamento: se Deus era onipotente, Ele deveria conhecer o passado e o futuro; sendo assim Ele, ao criar suas criaturas, saberia, de antemão, se elas seriam salvas ou condenadas. Dessa maneira, por uma razão acima da nossa capacidade de compreensão, Deus já criaria seres predestinados à salvação ou à perdição, surgindo, daí, a doutrina da predestinação, que foi adotada por muitas Igrejas de origem calvinista. Segundo essa doutrina, o Homem nada pode fazer para a sua salvação e nenhum sinal exterior foi dado para saber se o Homem é um dos eleitos ou não. Os 'eleitos' deveriam trabalhar e apresentar, naturalmente, um determinado comportamento ético e moral que lhes daria a certeza 'interior' da salvação. Assim, não é esse comportamento que os salva, mas o fato de serem 'salvos' é que os levaria a se comportarem dessa forma e de prosperarem na vida. Essa doutrina teve muita influência na formação da sociedade de vários países, principalmente dos Estados Unidos da América.

A Doutrina Espírita foi organizada, em suas bases fundamentais, por Allan Kardec na França em meados do século XIX. Segundo o Espiritismo, o Homem foi criado por Deus já 'predestinado' à felicidade eterna, que ele vai alcançando através do seu desenvolvimento espiritual realizado nas sucessivas encarnações na Terra, ou em outros mundos do espaço universal. Como o Homem tem 'livre arbítrio', ele pode seguir a sua evolução de maneira natural, ou interrompê-la, ficando estacionado no caminho. Nesse momento pode-se dizer que ele está 'perdido' necessitando ser 'salvo'. Dessa maneira vários Espíritos reencarnaram na Terra para mostrar o caminho da 'salvação', sendo que o maior deles foi Jesus de Nazaré. Jesus ensinou-nos o 'caminho da salvação', não só através de palavras, mas, principalmente, pelo seu exemplo de vida. É, por essa razão, denominado 'Mestre', sem ser, contudo, Deus, como admitem outras doutrinas cristãs.

Jesus, segundo a Doutrina Espírita, é um Espírito como nós, criado anteriormente à nossa criação, e que alcançou um grau supremo (pelo menos do nosso ponto de vista) de perfeição. Para nos tornarmos 'justos', assim, devemos ser 'fiéis' a Deus como Jesus nos exemplificou. Esse o significado maior da palavra Fé, que não significa apenas crença, mas, principalmente, fidelidade a um princípio. E qual o princípio que resume os ensinamentos de Jesus? Segundo Kardec é um só: Caridade. Por essa razão, a porta de nossa 'religação' com Deus é a Caridade, o que fez com que o lema "Fora da Caridade não há Salvação" se tornasse a síntese da Religião Espírita. Dessa maneira, a Religião Espírita é uma religião 'interior', sem os dogmas, rituais e hierarquias de outras religiões institucionalizadas.

Para se praticar a Religião Espírita não é necessário freqüentar nenhuma igreja ou templo nem participar, necessariamente, do movimento espírita organizado. É necessário, tão somente, tornar-se 'fiel' a Deus, ser, enfim, caridoso.

Mas a Caridade, como disse Kardec, é uma palavra muitas vezes mal compreendida. Por isso devemos compreender bem o seu significado, já que ela é a base da Religião Espírita.

O que é a Caridade?

Perguntando aos Espíritos Superiores (Livro dos Espíritos, n°923) qual o sentido da palavra Caridade, como a entendia Jesus, eles responderam: benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias e perdão das ofensas. Por essa razão Kardec, alguns meses antes de sua partida para o mundo espiritual (ver Revista Espírita, dezembro de 1868), classificou a Caridade em 'Caridade Beneficente', que é a caridade assistencialista, e 'Caridade Benevolente', que é a caridade moral. A Caridade Beneficente necessita de recursos e, muitas vezes, de uma certa organização institucional para ser melhor efetivada. Já a Caridade Benevolente pode ser praticada independentemente de recursos financeiros, tendo por campo de ação as nossas relações com o nosso próximo no dia-a-dia. Essa é, segundo Kardec, a verdadeira Caridade, a qual pode-se dizer que fora dela não há salvação.

Por essa razão, a base fundamental da Religião Espírita não é nenhuma obra exterior, que os outros possam admirar, mas uma obra interior que devemos implementar, para que sejamos 'salvos' do orgulho, do egoísmo, da avareza, da incredulidade, do desespero e da revolta, que são os verdadeiros fantasmas que devemos temer em nosso mundo íntimo. Transformando-nos para melhor, perceberemos que estaremos mais felizes, podendo, com maior segurança, auxiliar o nosso próximo a também encontrar o Caminho, a Verdade e a Vida abundante que Jesus nos prometeu.