sexta-feira, 16 de setembro de 2011

QUAL SUA RELIGIÃO

Até algum tempo atrás, a pergunta mais freqüente era: “Qual é o seu time de futebol?”
HOJE A PERGUNTA É: “QUAL É A SUA RELIGIÃO?”
Depois da abertura das religiões no Brasil nos últimos anos, o que vemos hoje são pessoas e mais pessoas defendendo suas religiões como se fossem times de futebol. Torcem, brigam e fazem questão de tentar convencer o próximo a seguir o seu caminho. Geralmente são pessoas que tiveram um contato mais profundo com a religião somente depois de já adultas.
Muitos de nós, porém, recebemos desde criança os costumes religiosos de nossos pais e avós. Particularmente no Brasil, nas décadas passadas, a religião predominante era a Católica Apostólica Romana. Mas isto mudou. Com a crescente proliferação de denominações evangélicas e a abertura das pessoas para religiões e seitas anteriormente tratadas como “clandestinas” ou “secretas”, como o espiritismo e a maçonaria, deu-se lugar a uma grande e cada vez mais cotidiana discussão sobre a eficácia de suas doutrinas e dogmas.
Outro grupo que vem na disputa por um lugar ao sol aqui no novo continente é o das religiões orientais, como o budismo e o taoísmo. Disputa, diga-se de passagem, feita pelos homens, e não pelas divindades.
Mesmo podendo dizer que tenho uma religião, e que dela participo desde meus primeiros anos de vida, sou totalmente contra a imposição de meus dogmas a outras pessoas que já tenham os seus próprios. Igualmente me sinto violentado e desrespeitado quando alguém tenta me doutrinar em outra religião que não aquela que abracei e com a qual me identifico, embora eu tenha conhecimento de suas falhas, diante das quais também não me calo.
Acredito que podemos viver harmoniosamente, cada um com sua religião, seita ou fé, mas todos se respeitando e evitando atritos provocados por pontos discordantes.
Antes de qualquer religiosidade, a energia que de fato é a essência da vida, é a espiritualidade, seguida bem de perto pela FÉ, que temos (ou deveríamos ter) dentro de nós.
Quando homens e mulheres, velhos e crianças, descobrirem que somos iguais na natureza humana, então seremos capazes de eliminar discussões religiosas e ater-nos ao respeito pela vida e à fé no Ser Humano, mais particularmente nas PESSOAS, tendo mais respeito e confiança uns pelos outros.
Devemos separar caráter de religiosidade, fé de doutrina.
Caráter é como o amálgama de nossa conduta humana. É imutável. E moldado dentro de nós ao longo de nossa infância e adolescência.
Religiosidade é mutável. Mas é mais difícil de se mudar quando vem de uma forte transferência de valores culturais, costumes e tradições, familiares ou do ambiente em que nos desenvolvemos desde criança.
Fé é o acreditar em algo. A fé está dentro de cada ser humano, e pode ser mais ou menos forte, dependendo também de fatores psicológicos. Pode-se também ter fé em coisas boas ou ruins. Acreditar no visível, no palpável, é mais fácil. Ter fé no invisível requer disciplina, paciência e fidelidade a seus princípios.
Doutrina nos é imposta. Aceitamos ou não do jeito que ela é. É um conjunto de leis e normais que não foram criadas por nós, reles leigos. Acredito, no entanto, que seja válido que discutamos estas doutrinas, ou dogmas, mesmo entre pessoas de religiões diferentes. Desde que ambas as pessoas concordem em que algo está errado.